Cunhadinho
Uma crônica de boteco.
- Acho que vou comer um cunhadinho.
- Eu também!
- Pra mim também!
- Bom? Então, quatro cunhadinhos, por favor. E uma coca zero pra acompanhar.
O garçom anotou os pedidos num bloco antiquado. A letra vazando para o outro lado, carimbada no carbono.
- Demora fazer um cunhadinho? É que estamos com fome!
- Demora o tempo de se casar uma irmã. - respondeu o garçom, rindo.
- Ou irmão! - completei.
- Quanto tempo seria isso?
- Uns 10 ou 15 minutos. - Alguém conjecturou.
A animação da mesa era geral. Conversávamos em grupos pequenos e então nos embolávamos nas conversas uns dos outros. Respondíamos a um a pergunta de outro, mas não tinha problema. Ali, tudo era matéria de diálogo.
Então, os cunhadinhos chegaram. Eram simpáticos, ao contrário de muitos cunhados que vemos por aí. Vinham cortados ao meio.
Tentei dar a primeira mordida, mas ele logo escapou para o lado, como se tentando desviar-se dos meus dentes. Segurei com mais força.
Eu esperava ter que usar uma faca, mas não foi necessário. A carne era macia, suculenta. É claro que eu nunca tinha comido um cunhadinho, mas achei a carne diferente de outras que já comi por aí.
Em poucos minutos, já não havia cunhadinho na mesa.
Não sei se foi a fome, só sei que o cunhadinho foi o melhor sanduíche que comi em Brasília. Recomendo.




Ah, a nossa fome era tanta...mas o cunhadinho surpreendeu! ❤️
Um deleite te ler! ❤️